Criar fotos com IA: quando faz sentido (e quando não faz)
- Jaqueline Zanini
- há 2 dias
- 3 min de leitura

Nos últimos tempos, as ferramentas de Inteligência Artificial voltadas para imagem avançaram de um jeito impressionante.
Hoje é possível criar fotos com aparência profissional, usando o próprio rosto, em poses diferentes, com luz de estúdio e cenários variados, tudo sem sair de casa.
E antes de qualquer coisa, eu preciso deixar claro: eu uso esse tipo de ferramenta. Eu gosto e, sim, isso facilita muito a vida.
Principalmente pra quem trabalha com criação de conteúdo, tem prazos curtos e precisa resolver demandas rápidas.
Um exemplo real



Recentemente, eu precisava subir um vídeo no YouTube em um domingo à noite.
Não tinha iluminação boa. Não ia fazer sessão de fotos naquele momento.
O que eu fiz?
Peguei uma foto minha, usei a IA Nano Banana do Gemini e gerei uma nova imagem para usar como thumbnail.
Funcionou. Resolveu meu problema. E fez total sentido para aquele contexto.
Esse tipo de uso, pra mim, é um ótimo exemplo de IA como ferramenta de apoio.
Onde começa o cuidado
Assim como qualquer tecnologia, IA não é boa ou ruim por si só.
Tudo depende de como a gente usa.
Pra mim, o cuidado começa quando a IA deixa de ser apoio técnico e passa a reescrever a realidade.
Um retoque simples, um ajuste de luz, uma correção de cor, um refinamento de enquadramento…tudo isso faz sentido.
E não substitui, em hipótese nenhuma, o trabalho do fotógrafo.
Muito pelo contrário: reforça o quanto esse profissional é essencial para registrar momentos reais, histórias reais, pessoas reais.
O problema começa quando a gente perde a mão.
Quando a foto deixa de ser registro e vira ficção.
Quando alguém cria uma imagem em Paris sem nunca ter ido pra Paris. Quando gera uma cena luxuosa de aniversário que nunca existiu. Quando constrói uma “lembrança” que não aconteceu.
Porque fotografia, no fim das contas, também é memória.
É sobre guardar um momento. Uma fase. Uma história.
E quando a gente começa a fabricar memórias, alguma coisa se perde no caminho.
Existem usos que eu consigo olhar com carinho.
Como montagens simbólicas. Por exemplo, uma criança ao lado de um avô ou avó que já faleceu e que ela nunca teve a chance de conhecer.
Nesse caso, não é sobre fingir que aconteceu.
É sobre afeto. É sobre homenagem. É sobre significado.
Mas fora esses contextos muito específicos, eu acredito que a IA não deveria substituir a experiência real.
Ela pode ajudar a melhorar uma imagem. Não a inventar uma vida.
E é nesse ponto que, pra mim, mora o cuidado.
Outro exemplo que eu quero trazer para vocês é que existe um movimento muito interessante de criação de imagens do zero, com estética autoral e direção artística bem definida.
Um exemplo disso é o trabalho da Ellina Alt, que explora a criação de imagens totalmente construídas com IA, mas com linguagem própria, identidade visual e intenção estética clara.
Esse tipo de uso me interessa muito mais do que simplesmente “gerar qualquer coisa”.
Porque reforça que, mesmo com IA, ainda existe direção, curadoria e olhar criativo por trás.



Isso abre possibilidades muito reais, inclusive para:
campanhas sem verba de produção, simulações de campanha, apresentação de conceito, aprovação de ideia com cliente, testes visuais antes de investir em produção.
Ou seja, usar IA como etapa de visualização e validação.
Como ferramenta de apoio.
Como meio.
Não como fim.
Quando a gente entende esse lugar, a IA deixa de ser ameaça e passa a ser aliada.
Tudo volta para a mesma pergunta: a ferramenta está ampliando seu processo ou substituindo o seu pensamento?
Pra mim, é aí que está a diferença entre uso consciente e uso problemático.
E é a partir dessa consciência que eu escolho usar IA hoje.


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