É possível usar IA sem copiar o trabalho de outro artista?
- Jaqueline Zanini
- há 11 minutos
- 2 min de leitura

Eu tenho compartilhado com vocês uma série de estudos que venho fazendo com inteligência artificial.
A ideia nunca foi “substituir” meu trabalho.
Nem romantizar a ferramenta.
É entender, na prática, o que ela consegue fazer, onde ela ajuda e onde começa a ficar problemática.
Essas ilustrações que vocês estão vendo foram geradas com IA.

Mas com um detalhe importante:
Eu pedi que a IA usasse como base essa ilustração feita por mim:

Ou seja, ela multiplicou o meu próprio trabalho.
Mesmo traço.
Mesmo estilo.
Mesma paleta.
E isso já abre a primeira camada da conversa.
Se eu tivesse pedido pra IA usar como base o traço de outro artista, isso seria ético?
Pra mim, não.
E não é uma zona cinza.
É uma linha bem clara.
Referência é uma coisa.
Cópia direta é outra.
Usar Pinterest pra montar moodboard, estudar estética, entender caminhos visuais… faz parte. Pedir pra uma IA reproduzir o estilo de um artista específico pra gerar variações é outra história.
E, infelizmente, tem muita gente ensinando isso por aí como se fosse normal.
Não é.
A gente já lutou (e ainda luta) muito pra discutir direitos autorais, plágio, crédito e autoria no design e na ilustração.
A IA não anula essa discussão.
Ela só deixa ela mais urgente.
Outra camada importante:
Foi preguiça da minha parte pedir esse pack de ilustrações pra IA, sendo que eu mesma poderia ilustrar?
A resposta real: depende.

Nesse caso específico, foi um estudo.
Eu não usei essas ilustrações em projeto de cliente.
Mas, sendo muito honesta, eu amo essa parte do processo de criar ilustração, sticker, elemento gráfico.
Eu sou designer, não ilustradora.
Mesmo assim, gosto de desenhar, testar, criar.
Se eu tivesse tempo e energia, provavelmente faria tudo na mão.
Mas a vida real existe.
Nas últimas semanas eu passei por situações familiares envolvendo saúde, internações, desgaste emocional.
Teve dias em que eu mal consegui pensar. E foi nesse momento que eu pensei: Que bom que, se um dia eu precisar, existe uma ferramenta que pode me apoiar.
Não pra substituir meu olhar. Não pra decidir por mim. Mas pra flexibilizar.
E talvez esse seja o ponto central.
IA não precisa ser protagonista.
Ela pode ser coadjuvante.
Ela não precisa ser regra.
Pode ser exceção.
Ela não precisa ser obrigação.
Pode ser escolha.
Cada profissional vai encontrar seu próprio limite.
O que não dá é fingir que não existem implicações éticas nisso tudo.
A gente precisa falar sobre autoria.
Sobre respeito.
Sobre processo.
Sobre intenção.




Comentários