Imagens feitas com IA no iFood
- Jaqueline Zanini
- há 7 dias
- 2 min de leitura
Fui pedir um lanche no iFood, comecei a rolar a tela. Em poucos segundos percebi que praticamente todas as imagens eram feitas com inteligência artificial. E não eram aquelas imagens de IA bem trabalhadas, que às vezes até enganam num primeiro olhar. Eram imagens extremamente artificiais, com textura de plástico, cenário que lembra 3D e uma estética que, sinceramente, não parece comida.



Naquele momento eu pensei: isso aqui não me dá vontade de comer. E esse pensamento ficou comigo, porque comida, pra mim, sempre esteve muito ligada à sensação, à memória, ao desejo. Quando a gente vê uma imagem de lanche, a gente quer sentir fome, quer reconhecer o que está vendo, quer acreditar que aquilo é possível. Só que aquelas imagens não ativavam nada disso. Elas ativavam estranhamento. Eu prefiro mil vezes uma foto simples, às vezes sem a melhor iluminação, às vezes sem a composição perfeita, mas real. Porque comida não precisa ser perfeita, ela precisa ser apetitosa.
É DISSO QUE EU TO FALANDO:

Esse episódio, que parece pequeno, me fez refletir sobre algo muito maior. A inteligência artificial não é o problema. O problema é como ela está sendo usada. Quando uma marca escolhe imagens extremamente artificiais para representar um produto, ela não está só fazendo uma escolha estética, ela está tomando uma decisão estratégica que impacta diretamente confiança, percepção de valor e conversão. Imagem de produto não é só sobre “ficar bonito”. É sobre comunicar verdade. Existe uma diferença enorme entre usar IA para aprimorar uma imagem real, ajustar luz, cor, contraste, enquadramento e usar IA para inventar completamente um produto que não existe daquele jeito. No primeiro caso, a IA melhora. No segundo, ela engana. E cada vez mais, os consumidores percebem isso.

Ao mesmo tempo, esse cenário abre espaço para um movimento interessante no mercado. Vai existir cada vez mais demanda por profissionais que saibam usar IA com critério, que entendam de fotografia, composição, direção de arte e estratégia, e que usem a ferramenta como apoio, não como substituta de pensamento. Gente capaz de pegar uma foto simples do cliente e transformar em uma imagem mais bonita, mais organizada e mais apetitosa, sem perder a realidade do produto. Ou de usar IA para simular cenários, testar composições e validar caminhos visuais antes de investir em uma produção maior. Isso não cria fantasia, cria clareza.
No fim das contas, ninguém quer comprar comida que parece brinquedo. Ninguém quer pedir um lanche olhando para um objeto 3D. As pessoas querem ver comida de verdade, querem reconhecer o que estão comprando, querem confiar. A inteligência artificial pode ser uma grande aliada nesse processo, mas só quando ela está a serviço da verdade do produto, e não da criação de uma ilusão.



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