Mais um dia lidando com Inteligência Artificial no meu trabalho
- Jaqueline Zanini
- há 1 dia
- 3 min de leitura

E eu poderia facilmente fazer uma série inteira só com relatos sobre isso.
Mas hoje eu vou compartilhar um caso que uma seguidora me mandou no direct.
Ela é designer iniciante. Foi contratada para criar um layout. Entregou o projeto.
E a cliente simplesmente pegou o layout, jogou no ChatGPT e começou a editar por lá.
Depois voltou com uma lista enorme de ajustes baseados no que a IA sugeriu.
A designer se sentiu desrespeitada.
E com razão.
Ela me falou algo que doeu ler:
“Se a cliente confiasse no meu trabalho, ela não teria feito isso, né?”
E eu acho importante falar sobre isso com maturidade.
Porque situações assim vão se tornar cada vez mais comuns.
A tecnologia não vai parar. Mas o processo precisa existir.
A gente não vai conseguir frear o avanço da IA.
Mas a gente pode (e deve) aprender a se posicionar melhor dentro desse novo cenário.
Hoje, empresas, agências e clientes finais estão usando IA como recurso.
O problema é que muitos estão usando sem critério.
Sem direção. Sem entendimento de processo. Sem responsabilidade sobre resultado.
E isso já está gerando consequências.
Um exemplo claro é o próprio iFood.
Cada vez mais aparecem imagens extremamente artificiais de lanches.
Imagens irreais. Mal geradas. Que não representam o produto de verdade.
Resultado?
Pessoas reclamando. Pessoas deixando de comprar. Desconfiança na plataforma.
Isso significa que empresas vão parar de usar IA?
Não.
Significa que profissionais que souberem usar IA com critério, bom senso e direção vão ocupar esse espaço.
O problema não é a ferramenta.
É como ela está sendo usada.
Quando o cliente altera seu layout com IA

Quando um cliente pega sua arte e joga numa IA para “melhorar”, normalmente não é por maldade.
Na maioria das vezes é por:
falta de entendimento de processo
insegurança
achar que design é só estética
achar que tudo é facilmente ajustável
Mas, ainda assim, isso fere a lógica básica da contratação.
Se eu te contratei como designer, é porque eu confio no seu repertório, na sua decisão e na sua leitura de problema.
Se eu preciso pedir para uma IA opinar em cima do seu layout, algo está desalinhado.
Ou na expectativa. Ou no processo. Ou no contrato.
O que eu recomendo, na prática
Primeiro: contrato.
Mesmo que não impeça 100% das situações, ele te dá base.
Eu, inclusive, acrescentei no meu contrato uma cláusula específica informando que não é permitido gerar variações, modificar ou editar as artes finais utilizando Inteligência Artificial.
Isso não significa que ninguém nunca vá fazer.
Mas significa que, se fizer, está fora do combinado.
E isso muda completamente o nível da conversa.
Segundo: limite de ajustes.
No meu contrato eu já trabalho com quantidade de ajustes definida (por exemplo, até 3 rodadas, dentro do briefing).
Isso evita:
ajustes infinitos
mudanças de rota constantes
projetos que nunca terminam
E protege seu tempo, sua energia e sua sanidade.
Um ponto importante pra quem é iniciante
Se isso acontecer com você, não significa que você é ruim.
Não significa que você não é capaz.
Não significa que você escolheu a profissão errada.
Significa que você está entrando num mercado em transição.
E que, além de aprender design, agora também precisamos aprender posicionamento, processo e proteção profissional.
No fim das contas
IA vai continuar existindo. Clientes vão continuar testando. Ferramentas vão continuar evoluindo.
O que não pode desaparecer é: processo, direção, pensamento crítico e respeito ao trabalho criativo.
E isso começa, muitas vezes, por um contrato bem feito.



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